Remando até os Jogos Paralímpicos de Los Angeles: como Flavio Reitz construiu uma carreira bem sucedida na paracanoagem

Com o ouro no Campeonato Brasileiro e a 3ª posição no ranking mundial, o atleta patrocinado pela Core Case mostra que o resultado na água é fruto de uma rotina pesada de treino e disciplina.

Flavio Reitz em Lagoa Santa. (Foto: Reprodução/Canoagem Brasileira).

Em setembro, Flavio Reitz cruzou a linha de chegada da categoria KL2 200m em Lagoa Santa (MG) com o tempo de 40s69 e garantiu mais um título brasileiro para a conta. Mas para quem só vê a medalha no pódio, o caminho até ali envolveu muito trabalho e dedicação.

Apenas uma semana antes de remar em Minas Gerais, Flavio disputava o Mundial na Polônia (onde ficou em 4º lugar). No mesmo ciclo, trouxe a prata da Copa do Mundo em Montreal, no Canadá. A sequência de resultados colocou o atleta itajaiense na 3ª colocação do ranking mundial da Federação Internacional de Canoagem (ICF), com 3.710 pontos, um passo decisivo na corrida por uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

O Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2026 foi sediado em Lagoa Santa (MG), entre os dias 3 e 6 de setembro, reunindo mais de 500 atletas de todo o país. (Foto: Reprodução/Canoagem Brasileira).

A rotina por trás dos 40 segundos

Quem acompanha as viagens com a Seleção Brasileira pelas redes sociais dificilmente imagina a carga de treino no dia a dia. Flavio faz questão de alinhar as expectativas:

Atletas no Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2026 (Foto: Reprodução/Canoagem Brasileira).

A gente acaba mostrando, nas redes sociais, um certo glamour com viagens, seleção brasileira, competições nacionais e internacionais, mas no dia a dia o buraco é um pouco mais embaixo. A rotina é diária, em grande parte do ano, de segunda a sexta, em alguns períodos também aos sábados. A gente vai para a água remar todos os dias de manhã. Segunda, quartas e sextas da tarde está reservado para o treinamento de força na academia. Em alguns períodos, na terça à tarde, eu também remo para complementar, para dar um pouco mais de volume. Nas quintas à tarde tem natação para dar uma complementada no cardiorrespiratório. O intervalo entre os treinos é para descansar e conseguir render na sessão seguinte.”

Mente fria sob pressão

Reitz finalizou sua participação no campeonato com chave de ouro na categoria KL2 200 metros. Cravou a marca em 40s69. (Foto: Reprodução/Canoagem Brasileira).

Em uma prova de 200 metros, que dura cerca de 40 segundos, qualquer erro na largada custa a prova.

“Não vou dizer que não dá nervosismo ou frio na barriga, mas a gente aprende a dominar e transformar essa adrenalina e ansiedade em algo positivo, para não entrar apático ou sonolento e perder o timing. A prova é muito rápida, então qualquer erro pode ser crucial entre disputar uma medalha ou chegar no pelotão de trás. Esse estar atento, estar focado, estar ciente das suas capacidades e executar na prova aquilo que você treinou é a chave, sempre buscando a sua melhor performance.”

Do salto em altura para o remo

Flavio disputou três edições das Paralimpíadas no salto em altura antes de migrar para a paracanoagem. A mudança de modalidade significou reeducar o próprio corpo e mudar a mentalidade de treino.

“Depois de 12 anos praticando a modalidade do atletismo, especificamente a prova do salto em altura, fazer uma mudança assim demanda resiliência e persistência. Principalmente em relação às partes do corpo utilizadas no processo: antes eu utilizava basicamente a perna, hoje eu utilizo basicamente os braços e o tronco. Então essa mudança demandou uma atenção especial”.

Flavio Reitz praticou atletismo durante 12 anos, antes de migrar para a canoagem. Foto: Reprodução/Comitê Paralímpico Brasileiro)

“A gente acaba percebendo que a modalidade da canoagem tem um desgaste físico e psicológico diferente. A partir do momento em que você está em contato com a natureza, você não a domina; é ela que domina e você é obrigado a se adaptar ao vento, a correntezas, ondas e à sujeira na água. Diferente do atletismo, onde o piso está sempre o mesmo e no máximo molhado por uma chuva, na canoagem o vento e a altura da água acabam atrapalhando. Esse entendimento de que a gente está em outro ambiente acredito que tenha sido o principal ponto para a gente poder evoluir fisicamente e mentalmente.”

O foco em Los Angeles para 2028

De olho na sua quarta participação paralímpica, o planejamento de Flavio e de sua comissão técnica foca no ciclo de classificação internacional, que vai até maio de 2028.

Copa do Mundo de Paracanoagem, na raia olímpica de Montreal. (Foto: Reprodução/Canoagem Brasileira).

“As competições de 2027, Mundial, Copas do Mundo e Pan-Americano, somam pontos decisivos. Os 10 primeiros do ranking garantem a vaga do país para os Jogos. O objetivo é cumprir os critérios e estar na lista final para representar o Brasil em Los Angeles.”

Apoio da Core Case

Para se dedicar exclusivamente à rotina de treinos e equipamentos de ponta, Flavio destaca a importância do patrocínio de marcas como a Core Case.

Flavio Reitz com Edson Onofri e Pedro Onofri, em Lagoa Santa. (Foto: Reprodução/Core Case).

“Ser apoiado por uma empresa do porte da Core Case para mim significa, num primeiro momento, reconhecimento pela minha trajetória, pela superação da amputação e por ser atleta de alto rendimento, podendo representar o país em grandes competições. Esse tipo de apoio de empresas privadas, empresas que pensam também na parte esportiva e social, é de suma importância e traz para nós uma estrutura que a gente consegue se concentrar só em treinar; o background, a estrutura de alimentação, de suplementação, de uniforme, de equipamentos, estão sendo suportadas pelo apoio de empresas como a Core Case“.

Bastidores do torneio em Lagoa Santa. (Foto: Reprodução/Core Case).

A parceria reforça o compromisso da Core Case em promover iniciativas transformadoras que conectam inovação e superação.

ESG desde o princípio.

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