Como a Core Case desenvolveu um produto brasileiro que se expandiu para mais de 15 países

Em entrevista concedida à Rádio 98.7 FM, o CEO e geólogo Daniel Bortowski detalhou a estratégia de internacionalização da marca, que substituiu caixas de madeira por sistemas inteligentes em polipropileno 100% reciclado e com operação CO₂ Neutro.

Entrevista da Rádio 98 News, em Belo Horizonte (Foto: Reprodução/Acervo pessoal).

Em um setor historicamente dependente de tecnologias e maquinários externos, o desenvolvimento de soluções nacionais para a mineração ganhou um contraexemplo expressivo com a trajetória da Core Case. Com produção em Santa Catarina (SC), a empresa consolidou um modelo de negócios focado no desenvolvimento de tecnologia própria no Brasil, utilizando matéria-prima 100% reciclada e nacional para fabricação de caixas para armazenamento de Testemunhos de Sondagem Diamantada e Circulação Reversa (RC).  Sua expansão atingiu mais de 15 países, com operações ativas no Chile e no Canadá.

A trajetória de internacionalização e os diferenciais operacionais do modelo de negócios foram destacados pelo geólogo e CEO da companhia, Daniel Bortowski, em entrevista concedida à Rádio 98 durante a realização da Exposibram, em Belo Horizonte.

O caminho inverso da tecnologia nacional

A decisão de levar a marca para os principais mercados globais de exploração mineral foi fruto de um planejamento estratégico traçado em 2014. Ao identificar a necessidade de diversificar a atuação para manter a curva de crescimento contínua, a diretoria optou pela expansão internacional focada nos polos mais relevantes da mineração das Américas.

“Nós percebemos que, em um determinado ponto do nosso crescimento, a tendência seria estabilizar. Uma forma de manter a curva crescente foi pensar no desenvolvimento de novas soluções e atingir outros mercados. Por isso, decidimos internacionalizar a Core Case para os principais mercados de mineração da América Latina e da América do Norte” – Daniel Bortowski, CEO da Core Case.

O estudo de campo, divulgado em outubro, comprovou que as caixas de testemunho fabricadas pela empresa continuam íntegras, estruturalmente estáveis e totalmente funcionais após mais de 12 anos de uso (com registros desde 2014).

Atualmente a Core Case exporta seus produtos para mais de 15 países. (Foto: Reprodução/Core Case).

A escolha do Canadá para sediar uma operação deu-se pelo papel estratégico do país como o principal centro financeiro da mineração global. Com a Bolsa de Valores de Toronto (TSX e TSX Venture) concentrando cerca de 40% de todas as mineradoras de capital aberto do planeta e respondendo por quase metade dos financiamentos públicos do setor nos últimos cinco anos (segundo dados do TMX Group), o mercado canadense consolidou-se como o polo de capital das grandes companhias mineradoras.

Escritório e galpão de estoque de produtos em Summerside, Canadá. (Foto: Reprodução/Core Case).

A estrutura no Canadá, no entanto, não alterou o desenvolvimento e fabricação dos produtos: a produção permanece 100% brasileira, posicionando o país como exportador de inovação sustentável para os polos de exploração mais exigentes do mundo. 

Da dor do geólogo no galpão ao modelo de negócio global
Comparativo caixas de testemunhos de madeira vs caixas da Core Case. (Foto: Reprodução/Core Case).

A inovação que deu origem à empresa em 2010 nasceu da experiência prática de Daniel Bortowski no campo. Entre 2005 e 2006, ao atuar como geólogo de exploração na descrição de testemunhos de sondagem, o profissional deparou-se com uma ineficiência operacional recorrente: o desgaste acelerado e a constante necessidade de reparo das caixas de madeira utilizadas para armazenar as amostras rochosas.

“Enquanto eu estava na frente dos testemunhos descrevendo, ao meu lado ficavam dois funcionários consertando caixas de madeira. Naquela época, não acreditava que não existisse algo mais eficiente, sustentável e ergonômico no mercado. A ideia não surgiu pensando em abrir um negócio, mas em resolver o problema da empresa onde eu trabalhava. Ao ver a dificuldade de implementar a mudança internamente, vislumbrei a oportunidade” – Daniel Bortowski.

Ganhos econômicos, ergonômicos, ambientais e de segurança
Operação em campo da Prospectiva Resources – Projeto São Francisco. (Foto: Reprodução/Prospectiva Resources).

A substituição da madeira pelo polipropileno 100% reciclado resolveu diversos gargalos da rotina de amostragem geológica:

  • Logística otimizada: O sistema de Core Shocks (separadores de manobra) reduz a perda de espaço interno de 5% (comum na madeira) para apenas 1%. Em uma campanha de 100 mil metros de sondagem, a eficiência evita o uso de mais de mil caixas excedentes, gerando economia direta em frete e armazenagem. Saiba mais sobre o aproveitamento de espaço das caixas Core Case;
  • Preservação de dados: Ao contrário da madeira, que apodrece em até dois anos em áreas úmidas, a caixa resiste a intempéries por tempo indeterminado e elimina o risco de fungos, cupins e animais peçonhentos;
  • Ergonomia: O design com pontos de pega confortáveis e o peso estrutural reduzido diminuem o esforço no levantamento de testemunhos, alinhando a rotina de galpão aos parâmetros de segurança da NR 17 e reduzindo o risco de lesões lombares; 
  • Pegada de carbono neutra: A produção da companhia opera com o selo CO₂ Neutro, compensando 100% das emissões anuais por meio de créditos certificados no padrão internacional Verra (VCS), além do respaldo das certificações ISO 9001 e ISO 14001.
O sistema de Core Shocks reduz a perda de espaço interno das caixas de 5% (comum na madeira) para apenas 1%. (Foto: Reprodução/Core Case).

Com 16 anos de mercado e mais de 3,8 milhões de caixas comercializadas, a trajetória da Core Case demonstra como a resolução de um problema prático de campo transformou um insumo básico em tecnologia nacional exportada globalmente.

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